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VIVER DIONISO
- UMA EXPERIÊNCIA ARQUETÍPICA -

Mônica Helena Weirich de Santana
Psicóloga Clínica, Arteterapeuta, Especialista em Dependência Química, Especialista em Psicologia Junguiana pelo IBMR, Analista Trainee do Instituto Junguiano do Rio de Janeiro.
E-mail: monihelena@yahoo.com.br
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RESUMO
O presente texto apresenta uma visão do deus grego Dioniso como uma força arquetípica presente na psique humana desde a antiguidade até a atualidade. Esta força, quando vivenciada pelas pessoas na época presente, assim como era na Grécia antiga, pode trazer benefícios psicológicos através da compensação entre a atitude da consciência e os conteúdos do inconsciente.

PALAVRAS-CHAVE
Mitologia Grega, deuses, religião, música, cultura e teatro gregos, inconsciente, imagens simbólicas e arquetípicas, feminino, saúde/doença, tipos apolíneo e dionisíaco, musicoterapia, Cinco Ritmos, análise, mistérios.

INTRODUÇÃO

Dioniso é realmente um deus misterioso, complexo, múltiplo e paradoxal.  Quanto mais se estuda sobre ele, mais há a descobrir e estudar, num paralelo com seus mistérios sobre a morte e renascimento, sobre a vida que sempre se renova. 
Ele é o estranho estrangeiro, que simplesmente surge e impõe sua força arrebatadora, que Kerényi (2002) denomina zoé, a vida infinita, de todos os seres viventes, energia coletiva que não admite a experiência de aniquilação.  Esta é a essência dos rituais da religião dionisíaca, que expressavam a alternância das estações e ciclos da natureza, assim como a trama estrutural do deus morto e ressuscitado, que simboliza, segundo Chevalier e Gheerbrant, "o esforço de espiritualização da criatura viva, desde a planta até o êxtase:  Deus da árvore, do bode, do fervor e da união mística, ele sintetiza, em seu mito, toda a história de uma evolução".  (1994:341).
Dioniso possui vários nomes e inúmeros epítetos, como menção aos locais de seu culto, a seus atributos e às variações de seu mito.  São mais conhecidos os nomes Dioniso e Baco.  Segundo Junito Brandão (1995), o teônimo Diónysos  não apresenta etimologia definida, sendo possivelmente composto por Dio, céu em trácio e Nysa, filho, significando então "filho do céu".    Baco, ou Bákkhos, aparece na literatura grega a partir do século V a.C. com Heródoto e Sófocles, em Édipo Rei, significando "ser tomado de um delírio sagrado", de onde deriva a palavra Bacante.

Outros nomes que freqüentemente aparecem na literatura são Iaco, Brômio e Zagreu.  Iaco, em grego Íakkhos, "grande grito", é considerado um introdutor dos mistérios dionisíacos no cortejo dos Iniciados, que antecedia a multidão de peregrinos a Elêusis.  Brômio, etimologicamente ligado a brómos, estremecimento, frêmito, ruido, traz a denominação de "ruidoso, fremente, palpitante" que se associava ao transe dos ritos dionisíacos.  Zagreu é o nome cretense de Dioniso, significando "o grande caçador", em sua mitologia mais arcaica, que os Órficos consideram o primeiro Dioniso.  Zagreu é comparado em Creta a Zeus ctoniano ou subterrâneo ou ainda a Hades, o senhor dos mundos inferiores, por sua ligação com a morte e o reino dos mortos.
Entre os epítetos de Dioniso estão o jovem deus, o deus nascido duas vezes, o deus triturador de homens, o louco, o Delirante, o Fremente, o Murmurante, Bakkheîos (o que pratica loucura), Lýsios (libertador), Meilíkhios (suave e doce como o mel), Bougenés (filho da vaca ou boi honrado), Kissós (florente de hera), Oínopos (cor de vinho), Eleútheros (filho de Zeus), Diòs phós (luz de Zeus), Kretogenés (nascido em Creta), Melanáigis (o da negra pele de cabra), Omádio (comedor de carne crua), Pyrísporos (nascido do fogo), Évio e ainda Ditirambo, identificando-o com seus cantos rituais.  De acordo com alguns rituais, recebia também a denominação de Diónysos Orthós, o "Dioniso Ereto", cuja representação era um falo e Diónysos Pélekys, "Bipene", a machadinha de dois gumes utilizada nos rituais de sacrifício.  Homero o chama de mainómenos Diónysos, o delirante Dioniso, mesmo adjetivo que Platão utiliza para o vinho, pois a embriaguez dionisíaca parecia comparável à bebedeira.
Estes diversos nomes e atributos tornam mais evidente a natureza paradoxal de Dioniso, com seus aspectos luminosos e sombrios simultâneos.  Segundo Kerényi (2002), em Leis, Platão menciona duas dádivas da estação da vindima, da segunda metade de julho ao começo de setembro: os frutos e algo mais sublime, o júbilo dionisíaco.  A pura luz do fim do verão é considerada pelos gregos dionisíaca ou o próprio Dioniso.
Otto, em citação de Kerényi (2002), sustenta que o divino ser de Dioniso, sua natureza básica, é a loucura, mas uma loucura inerente ao próprio mundo, não um estado degenerativo, mas algo que acompanha a perfeita saúde, isto é, a própria vida em oposição e contato permanente com a possibilidade da morte.  São as profundezas primitivas onde moram as forças da vida, cujo contato pode tanto destruir quanto beneficiar.  É a fusão de consciente e inconsciente num único transbordamento, estado em que é possível contemplar a visão de Dioniso.

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